PJe, eProc e a Fragmentação do Processo Eletrônico: O Que Muda para o Advogado em 2026

Se você já perdeu tempo entrando em cinco sistemas diferentes para acompanhar processos de um único cliente, sabe exatamente o problema que este artigo vai tratar. A consulta processual no Brasil em 2026 segue sendo marcada por fragmentação — e o cenário está em movimento acelerado.

PJe, eProc, e-SAJ, Projudi, Apolo. Cada tribunal adotou seu próprio sistema. E o que parecia um problema temporário, esperando uma padronização que o CNJ prometeu desde 2013, continua sendo uma das maiores dores operacionais da advocacia brasileira.


O Estado Atual: Um Mapa Fragmentado

Entender o ecossistema atual é o primeiro passo:

  • PJe (Processo Judicial Eletrônico): Desenvolvido pelo CNJ, é amplamente utilizado em tribunais federais, trabalhistas e superiores. Em dezembro de 2025, passou por atualização para a versão 2.9.7.0, com melhorias de desempenho, segurança e novos recursos de tratamento de processos sigilosos.
  • eProc: Reconhecido por estabilidade e agilidade, está presente nos TRFs e em alguns tribunais estaduais. Vem ganhando espaço: em janeiro de 2026, o TJMG expandiu o projeto-piloto de migração do PJe para o eProc em Belo Horizonte, abrangendo 36 varas cíveis.
  • e-SAJ: Predomina em tribunais estaduais como o TJSP, com interface mais acessível mas variações regionais.
  • Projudi: Utilizado por tribunais menores, com arquitetura aberta e menos recursos de integração.

A iniciativa do TJMG em migrar para o eProc não é isolada. É parte de um movimento nacional em que tribunais buscam sistemas mais modernos e estáveis — e isso impacta diretamente o advogado que precisa reaprender fluxos, recadastrar credenciais e adaptar rotinas.


O Que Mudou em 2026

Migração PJe → eProc no TJMG

A partir de 19 de janeiro de 2026, o eProc passou a ser adotado na Comarca de Belo Horizonte para as 1ª a 36ª Varas Cíveis, a Vara de Registros Públicos e a Vara Agrária. A intenção do TJMG é que o eProc se torne o único sistema eletrônico para tramitação em 1ª e 2ª instâncias — promovendo maior padronização e facilidade de uso.

Pontos de atenção práticos:

  • Advogados já habilitados tiveram os cadastros migrados automaticamente, mas precisam realizar o primeiro acesso com certificado digital para liberar o peticionamento
  • Após a migração, o peticionamento no PJe é bloqueado para os processos transferidos
  • Processos com audiências agendadas, prazos em aberto, recursos pendentes ou partes sem CPF/CNPJ não foram migrados automaticamente — requerem atenção especial

Nova versão do PJe (2.9.7.0)

Tribunais que seguem no PJe receberam a atualização nacional implantada pelo CNJ no final de 2025. Entre as mudanças: melhorias de desempenho, novos recursos de segurança, aprimoramento no tratamento de processos sigilosos e integração com o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BMNP).


A Busca por Interoperabilidade

O grande sonho — e o grande desafio — é fazer esses sistemas “conversarem” entre si. O CNJ avança com a Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ-Br), que tem como objetivo criar um ambiente integrado. Porém, desafios técnicos e estruturais ainda impedem a implementação total.

Na prática, a consulta processual eficiente hoje depende de plataformas privadas que já integram PJe, e-SAJ, eProc e Projudi em uma única interface — cobrindo mais de 90 tribunais. Para escritórios com volume processual relevante, essa integração deixou de ser um luxo e passou a ser necessidade operacional.


O Impacto Real na Rotina do Escritório

A fragmentação de sistemas gera custos ocultos que poucos escritórios calculam:

Tempo: Advogados e assistentes gastam horas semanais navegando entre plataformas diferentes, com logins distintos e interfaces incompatíveis.

Risco de prazo: A falta de integração aumenta o risco de publicações serem perdidas em um sistema que o escritório não monitora com a mesma frequência.

Onboarding de equipe: Treinar novos colaboradores para operar em múltiplos sistemas eleva o custo e o tempo de adaptação.

Erros de migração: Processos em fase de migração entre sistemas exigem verificação manual de integridade dos dados — mais uma tarefa que consome tempo do time.


O Que Esperar Para os Próximos Meses

A tendência de migração de PJe para eProc deve continuar em outros estados. Escritórios que atuam em múltiplas comarcas precisam monitorar de perto os cronogramas dos tribunais onde atuam — uma mudança de sistema pode afetar todos os processos em andamento simultaneamente.

Também é esperado que o CNJ continue pressionando por maior interoperabilidade entre os sistemas existentes. A expectativa do setor é que a PDPJ-Br avance em integrações ao longo de 2026, reduzindo gradualmente a necessidade de consultas manuais em múltiplos portais.


Como o MindLaw Ajuda Nesse Cenário

Independentemente do sistema de cada tribunal, o MindLaw centraliza a gestão dos seus processos, prazos e tarefas em um único lugar. Quando uma mudança de sistema acontece no tribunal, seu escritório não precisa mudar a forma como gerencia o trabalho interno — a base de controle continua a mesma.

Quer ver como funciona na prática? Agende uma demonstração.


Tem dúvidas sobre alguma migração específica no seu estado? Deixe nos comentários — nossa equipe acompanha as atualizações dos principais tribunais brasileiros.

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